Hoje, ao acordar sob o sol brilhante de uma manhã fresquinha de setembro, meus filhos, ao chegarem à sala, viram pela porta de vidro a amoreira frondosa do quintal. Com os olhos arregalados, me chamaram em coro:
— Mamãeeeeeeeeeee!!
Quando cheguei, completaram:
— Olha, ali! Os passarinhos estão comendo as nossas amoras!
O mais velho, chamando seu cachorrinho, anunciou decidido:
— Vamos, Chase! Vamos lá espantar esses narigudinhos!
Peguei sua pequena mão branquinha como uma nuvem, puxei-o para um abraço, sorri olhando-o nos olhos e pedi:
— Deixa eles comerem.
— Mas mãe, eles estão comendo as nossas amoras — insistiu minha pequena, franzindo a testa. — As que estão no pé e as que estão no chão!
Então, tomei-a no colo, olhei nos seus olhos doces de jaboticaba e disse:
— Filha, a gente tem um pacote de amoras na geladeira. Todo dia, nossa árvore nos presenteia com frutas novinhas, docinhas e maduras. Por que se prender às que já caíram no chão? Olha só aquela família de sabiás... Eles estão tão felizes comendo as amorinhas! Viu como é lindo? Deixe que eles comam. Aliás, a fruta do pé é a mais gostosa!
A natureza é assim: mesmo em silêncio, nos presenteia com grandes lições.
Ela nunca dá apenas o necessário. Ela dá em abundância.
Dá o seu melhor para quem voa, para quem rasteja, para quem pisa no chão, para quem vê, sente e abre o coração.
Todos têm acesso ao fruto perfeito, cada um do seu jeito, cada um em seu lugar.
E não é só isso. Nossa amoreira ensinou a mim e aos meus preciosos frutos que, se eu me proponho a dar algo, não importa se recebo em troca ou não. Minha preocupação deve ser com o que sai de mim. E isso precisa ser bom, puro e o meu melhor, sempre. Tudo o que vem de mim fala sobre mim, e não sobre o outro. Por isso, deve carregar minha essência, meu amor e a minha entrega mais verdadeira.
A abundância é uma regra da natureza e da vida.
Mas, muitas vezes, deixamos essa verdade do lado de fora.
Tememos não ter o suficiente. Guardamos, controlamos, comparamos.
A escassez nos ensina a reter. A abundância nos convida a dar.
Quem dá em abundância e se permite receber em abundância entra no fluxo.
E o fluxo é contínuo: é dar e receber, agradecer e acolher, abrir espaço para o outro contribuir, permitir-se aprender e ensinar.
Lembro de quando ainda era estagiária e ofereci um pedaço de bolo para minha chefe, a querida Promotora Dra. Jane. Ela aceitou com simplicidade e disse:
— Obrigada, Luana. A gente também precisa aprender a receber.
Aquela frase ficou gravada em mim. E não foi só sobre o bolo.
Foi sobre dar valor a cada gesto, mesmo os mais simples.
O bolo deu início a uma longa e deliciosa conversa que guardo com saudade e gratidão até hoje.
Quantas vezes dizemos “não” à vida?
Quantas vezes bloqueamos o fluxo por medo, vergonha ou por sentimento de escassez?
Quantas vezes pensamos que o que temos é pouco demais ou simples demais para oferecer?
A abundância nos convida a dizer mais “sim”:
Sim a dar.
Sim a receber.
Sim a permitir que até o menor gesto nos nutra.
Sim a contribuir com o melhor que temos naquele instante.
Um sim que vira a chave de muitas portas, oportunidades e corações.
Por isso, hoje te digo: abrace a abundância.
Valorize o que você tem.
Dê mais do que o esperado.
Receba com gratidão o que vier do coração.
Entenda que a mesma amora que adoça sua boca também alimenta o sabiá, a formiga, a terra.
Este é o fluxo da vida, generoso e perfeito, que nos convida a:
valorizar o que está na nossa mão
dar com o coração
receber com gratidão
crescer com leveza
compartilhar com alegria
e agradecer. Sempre.
Que a abundância da amoreira floresça também no seu coração, em cada gesto, em cada partilha, em cada sim que você se permite dizer à vida.
A amoreira me ensinou que abundância é partilha.
Então,deixo esse espaço para você compartilhar a sua história comigo também.
Com carinho,
Luana
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