Ontem, quando abri a porta de casa, depois de um mês sem ir à academia, ainda transpirando de calor, tirei o tênis e a meia e, antes que colocasse a bolsa sobre a mesa, meus filhos vieram correndo e me abraçaram.
Fechei os olhos e respirei feliz.
Saltitante e com os olhos brilhando, minha filha esticou o braço, me entregando uma pequena flor.
Meu filho, com um sorriso banguela, levantava a mão na altura dos meus olhos ao me mostrar a pequena acerola que havia pegado no quintal.
Peguei a flor e a coloquei no cabelo.
Lavei a fruta, coloquei-a na boca e virei os olhos, saboreando a doce acerola do verão.
Minha filha falou:
— Mamãe, você ficou linda.
E meu filho concordou:
— Está linda mesmo.
A beleza que viam era além dos olhos.
Até porque eu, suada, com os cabelos desarrumados e dolorida depois de um mês sem me exercitar, não era a minha melhor definição de beleza.
Mas, no fundo, a verdadeira beleza encanta muito mais do que só os olhos.
Bela é a flor do jardim que sua filha colheu para te enfeitar de amor.
Belo é o sabor puro e doce da fruta do quintal, tirada do pé por seu filho para você.
Belo é sobre o valor da presença e sobre olhar com os olhos do coração.
Belo é o amor e a vida que a gente vive e compartilha.
Compartilhar o amor, as flores e os frutos recebidos é uma forma de honrar quem nos ama, quem acredita na gente e quem nos deu o dom da vida.
Foi pensando nesse momento que percebi que precisava compartilhar com você, que me acompanha, o quanto 2025 foi bom para mim.
2025 deixou marcas de realização, aprendizado e renascimento.
Foi um ano em que muita coisa se alinhou porque tive coragem.
Coragem de confiar no que eu sou.
Coragem de ocupar o espaço que esperava por mim.
Coragem de entender que aquilo que, para mim, era natural, para o mundo era diferencial.
Coragem de acreditar em quem acreditou em mim.
Em 2024, minha mentora olhou para mim e disse algo que mudou tudo:
“Luana, você escreve melhor do que a maioria das pessoas com quem convivo, que nos dão treinamento e para as quais lecionei. Sua comunicação é diferenciada. Você precisa investir nisso. O mundo precisa da sua voz e das suas palavras.”
Ela não era qualquer pessoa.
Era alguém que negociava com países, presidentes e primeiros-ministros, alguém que representava uma das organizações internacionais mais fortes do mundo.
E foi justamente esse olhar que clareou meus olhos para enxergar o valor do que eu carregava.
O que eu achava normal e fazia com facilidade era excelência.
E o que eu escondia por achar normal precisava, finalmente, ser entregue ao mundo.
Ela me disse: escreva. Publique. Dê cursos. Faça consultorias e palestras.
Confie. Vá.
E eu fui.
Só em 2025, foram dez artigos, entre publicados e aprovados, em grandes jornais brasileiros.
Acordar num domingo de manhã com mensagens de pessoas que eu não conhecia, convites no LinkedIn, relatos emocionados por um texto publicado na segunda página do Estadão… isso não é comum. E eu sei disso.
Cheguei lá sem conhecer ninguém, apenas com a força das minhas palavras e a coragem de mostrá-las, porque alguém que me ama viu beleza no que eu faço — e eu tive coragem de confiar.
Mostrar o meu trabalho me levou a oportunidades surreais, como ser formalmente convidada para falar como especialista em uma audiência pública em Brasília, na Câmara dos Deputados.
Não foi sorte.
Foi construção.
Mas ali, uma chave virou em mim.
Percebi que, assim como fui vista, eu também precisava ver outras pessoas.
Ver talentos escondidos.
Dizer: “isso que você faz é diferenciado, invista nisso”.
Naturalmente, me tornei mentora.
Comemorei cada texto aprovado e publicado.
Cada palestra aplaudida de pé.
Cada pessoa que encontrou voz, clareza e coragem.
Dei treinamentos no Brasil e no exterior, para entidades públicas e privadas.
Ajudei pessoas a ocuparem espaços que antes pareciam inalcançáveis.
Em 2025, lancei as Cartas.
Cartas que saíram do meu coração e encontraram milhares de outros.
Em apenas três meses, foram mais de três mil leituras de textos longos, densos e profundamente humanos.
Mas 2025 também foi um ano de renascimento, literalmente.
Eu quase morri.
Uma gravidez ectópica, uma hemorragia, algo que eu jamais imaginei viver.
E ali, entre a vida e a fragilidade, eu renasci, porque precisava viver não apenas por mim, mas pelos que eu amo e pelos que eu quero ajudar.
Renasci com mais clareza da minha missão.
Renasci com mais gratidão.
Renasci entendendo o tamanho das bênçãos simples e essenciais que me cercam — flores do mato e frutos do quintal.
Enviei cartas.
Recebi testemunhos, choros, consolo e gratidão.
As cartas que me ajudaram a curar minhas feridas foram o bálsamo que levou paz e acolhimento a muitos outros corações.
Minha vulnerabilidade abriu espaço para que outros se amassem do jeito que são.
E o que era dor virou ressignificação. Virou lição.
Vi pessoas que mentorei prosperarem, ganharem dinheiro e organizarem vidas, relacionamentos e negócios com propósito e valor.
Vi a justiça bater à minha porta e acolher a minha família.
Vi meu trabalho unir famílias depois de anos de separação.
Devolvi sorrisos e levei esperança fazendo o simples com amor.
Vi nascer um livro que fiz para ajudar uma amiga em depressão se transformar em consolo e força para mim e para meus filhos quando mais precisamos.
E você que esteve aqui comigo.
Você que leu, ouviu, chorou, sorriu e me escreveu de volta.
Você que faz da minha escrita simples um ato especial.
Você que faz das palavras do meu coração uma morada.
Obrigada.
De coração, muito obrigada.
Que esse espaço que construímos juntos continue sendo um lugar de encontro, acolhimento e humanidade.
Mas, ao fechar este ciclo, desejo não apenas mais conquistas externas.
Que em 2026 você se realize internamente, consigo mesmo e com Deus. Dentro da sua casa.
No carinho de um filho.
No aconchego de uma mãe.
No abraço de seu companheiro ou sua companheira. No sorriso de um irmão.
Que você tenha a certeza de que tem um lugar especial no mundo e, sobretudo, nos corações de quem você ama.
Que você sinta a beleza do amor verdadeiro e da alegria da presença entre os que te amam e caminham ao seu lado.
E que possamos honrar cada um deles com o melhor que temos.
Sem perder nosso propósito.
Sem perder nossa conexão com Deus.
Sem perder quem somos.
Sem esquecer de onde viemos.
Seguimos juntos, vendo a beleza com os olhos do coração através de flores do mato, frutos do quintal e amores que trazem vida e sabor para as histórias tecidas a cada dia.
Obrigada por vir até aqui comigo.
Estou aqui para ouvir as reflexões que 2025 deixou para você.
Um feliz e abençoado ano novo para você e sua família!
Com amor,
Luana
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