Era uma ideia maluca.
Daquelas que assustam muita gente, mas não a mim.

Fazer um evento grande, em tão pouco tempo, trazendo autoridades, estruturando aquilo tudo do zero…

Para a maior parte das pessoas, era sinônimo de risco. Risco à reputação. Risco de dar errado. Risco de se expor.

Para mim, não.
Para mim, aquilo era natural.
Era o tipo de ousadia que sempre fez parte da minha vida. E que, na verdade, eu adoro!

Eu já tinha feito eventos impossíveis antes. Eventos que até hoje são lembrados. Então, quando minha amiga me contou o que queria organizar, eu falei:
“Parabéns. Incrível!! Grandes e diferentes ideias movem o mundo. Presta atenção, não deixe mentes inseguras diminuírem o que só gente grande enxerga. Siga em frente!”

E assim entrei naquele barco, para ajudar minha amiga a realizar algo incrível!

Mas, havia um problema: não havia dinheiro para trazer quem queríamos.

Nossas conversas continuavam. E foi olhando pela janela e observando os carros passando e a noite chegando, que a resposta veio:
valor não é só dinheiro.

Então sugeri um almoço exclusivo para palestrantes e financiadores.
Networking premium.
Troca de valor real.
Ambiente de presença, não de cachê.

Ela topou.
E assim resolvemos o impasse.

Sonhávamos juntas, discutíamos. Mas eu via minha amiga sobrecarregada com tantos afazeres que, sinceramente, eu não podia ajudar.

Eu disse: amiga: delegue, divida as responsabilidade. Monte um grupo e coordene esforços para que você foque no que realmente faz a diferença. Grupos fortes produzem resultados incríveis.

Conforme outras pessoas foram chegando, o grupo cresceu e o projeto tomou forma. Era bonito ver tantas mentes afiadas reunidas e lindamente orquestrados por minha competente amiga.

Finalmente, o grande dia!

O evento começou e estava lindo. Sonho conjunto realizado com louvor!

A entrega, o esforço coletivo, o brilho daquela construção conjunta, tudo me enchia de alegria. Estava encantada com a harmonia do grupo, com a realização da minha amiga que merecidamente brilhava.

No almoço, daquele primeiro dia, vi uma moça aflita por opções para pessoas celíacas e me sensibilizei. Quem tem alguém com alergias na família sabe o peso disso. Ajudei como pude, e pedi para que no dia seguinte tivéssemos mais opções. Aprendi com a minha avó Nita que devemos receber as pessoas da melhor maneira que pudermos: quem recebe tem que cuidar com carinho.

E então chegou o tão esperado segundo dia.
O dia do almoço que eu mesma tinha arquitetado.

Descíamos em um grande grupo, pessoas da organização, speakers e patrocinadores. A conversa estava animada.
Eu estava completamente à vontade.
Amo grupos de mentes diferenciadas, me sinto à vontade para falar o que penso e acho o máximo poder escutar grandes experiências. São nessas rodas que minhas ideias respiram.

E, para mim, era óbvio: eu faria parte daquele almoço.
Eu estava na comissão.
Eu tinha trabalhado.
Eu tinha pensado aquela estratégia.
A ideia era minha.

Mas por respeito perguntei:
“Amiga, eu também vou, certo?”

Ela virou para mim, na frente de todos, sem nenhum pudor e em alto e bom som disse com frieza:
“Não. Você fica. Se quiser, tem comida lá dentro.”

Naquele instante, minha cara soltou do rosto e caiu no chão como um vidro quebrado em mil pedacinhos.

Os cacos da rejeição me cortaram na alma.

Eu me senti como um cachorro de rua que era enxotado com chutes após implorar por restos de comida.
Rejeitada. Verdadeiramente, humilhada.

As pessoas ao redor ficaram desconfortáveis. Tentaram me consolar. Eu não conseguia reagir. Foi como um apagão mental. Não conseguia processar, nem reagir. Estática, em pé no meio daquela grande cidade, sem ação nem direção.

Daquele grupo enorme, só eu não tinha lugar. Logo eu que fui a mente por trás daquele almoço.

Mas isso não importava mais. Já estava consumado.

De repente, um casal passou por mim com um cachorro que, ao latir, me despertou da paralisia dos meus pensamentos. Instintivamente, comecei a andar, sem direção, quando, lembrei:

Minha bolsa estava no armário e eu precisava busca-la antes de ir embora. Ao voltar ao local do evento, encontrei a moça loira que não comia glúten.

Ao me ver, ela me chamou:
“Senta aqui com a gente.”

Sentei.
E, sem perceber, escorreguei para uma das conversas mais gostosas que tive em muito tempo.
Mulheres diferentes de mim, e ao mesmo tempo tão parecidas.
Rimos. Contamos histórias. Fomos verdadeiras.

Me senti acolhida.
Resgatada.

E ali descobri: elas eram do Grupo Mulheres do Brasil.
E foi ali que eu entrei.
Ali que fui recebida.
Ali que encontrei mulheres que hoje admiro, respeito, e que já me ajudaram mais do que posso contar.

Sempre que lembro daquela rejeição pública, eu me recordo de Moisés.

A Bíblia diz que, várias vezes, o faraó quis libertar os hebreus porque amava Moisés. Mas Deus endurecia o coração do Faraó, para impedir.

Porque havia um propósito maior:
sem o não do Faraó, Moisés não atravessaria o deserto;
não se tornaria o líder que se tornou;
não viveria o Maná;
não veria o mar abrir;
não escreveria a jornada que conhecemos.

Às vezes, o NÃO é o caminho.
Às vezes, a rejeição é o passo para um novo começo.
Às vezes, a humilhação é o empurrão divino para o lugar certo.

Se minha amiga não tivesse endurecido o coração naquele momento, eu jamais teria conhecido aquelas mulheres.
Jamais teria sido abraçada como fui.
Jamais teria sentado naquela roda de conversa, que até hoje faz parte da minha vida.

Ali, eu aprendi a ressignificar os “nãos”.

A vida nem sempre fecha a porta para te machucar.
Às vezes, ela fecha algo para te redirecionar.
Para te levar ao lugar onde você é bem vinda, querida e acolhida. Para te trazer novas oportunidades!

E hoje, quando olho para trás, agradeço.
De verdade.

A humilhação foi real.
Mas o destino também foi sensacional. Viver aquela experiência foi surreal! Então, só posso agradecer à minha amiga e torcer para que ela continue a brilhar e alcançar vitórias ainda maiores para a vida dela!

E, com muita alegria, continuo como parte do Mulheres do Brasil. Esse grupo maravilhoso pelo qual tenho muito carinho e gratidão.

A verdade é que o “não” que eu ouvi naquele dia, trouxe suporte, ajuda, carinho e muitos “sins” mais importantes que Deus queria que eu encontrasse depois.

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Obrigada você, por ler as minhas Cartas. Espero que esta mensagem te ajude a ressignificar os “nãos” que você possa ter recebido na sua vida. Vou ficar feliz em ouvir sua experiência, então, sinta esse espaço como seu também. Se fizer sentido para você, leve essa mensagem a alguém que precisa ouvi-la.

Com amor,

Luana