Num momento, o corpo revirava, o sangue inundava e me desacordava.
No outro, eu descobria que sentiria aquele cheirinho, veria um sorriso banguela, teria um bebê para ninar e adormecer no colo.

Em seguida, minha alma se quebrou em cacos infinitos, perfurando tudo o que eu tinha.
Eu corria risco de vida e precisava interromper a gestação.

Ao passar pela grande porta de madeira, sentia o corpo clamar por descanso, enquanto a cabeça tentava processar tudo o que havia vivido.
Não era só eu que voltava para o meu lugar — tudo em mim buscava se recompor, como se a vida, delicadamente, estivesse me costurando de novo.

Foi então que, depois de um abraço apertado dos meus serzinhos mais amados do mundo, meu filho pegou a minha mão e falou:
Mamãe, vem cá. Olha o que chegou pra gente.

Ao olhar, eu não acreditei.
Ele me guiava até uma grande caixa ao lado da janela da sala.
Segurando firme a minha mão, meu menino sorria com uma pureza angelical — daquelas que nos fazem ter certeza de que as crianças são mensageiros do céu.

Naquele momento, lembrei o que aquela caixa significava e me emocionei.
A vida tinha me reservado um presente.
Ali estavam os primeiros exemplares do meu novo livro Acredita em Você.

Um livro que nasceu de uma carta ilustrada, escrita para acolher uma amiga querida, presa na dor do passado, afastada do mundo.
Acredita em Você nasceu para ser um refúgio — uma mantinha cheirosa, um café quente com chocolate e um abraço amigo em meio à tempestade.

Quando ainda era apenas um punhado de páginas soltas e conseguiu devolver o sorriso emocionado da minha amiga, percebi que aquela mensagem precisava se tornar um livro, uma mão estendida para ajudar muitas pessoas a colorirem seus dias com amor, fé e esperança.

E agora, ao ver meu filho diante daquela caixa, era como se o próprio Deus me dissesse:
“Essa mensagem também é para você. Acredita, confia. Estou aqui com vocês.”

Abri a caixa com as mãos trêmulas e os olhos marejados.
Lá estava ele — o livro que escrevi para ajudar as pessoas, mas que chegou para acolher primeiro a mim e aos meus amores.

Abracei os dois e o meu marido, e juntos nós oramos, agradecendo o milagre de estar viva e de sermos cuidados com tanto amor.
Naquele momento, senti um abraço do invisível sobre nós.
Senti que a vida havia me dado uma segunda chance.

Enquanto meus filhos coloriam as páginas e riam, minhas lágrimas desciam em silêncio.
Sentia gratidão, alívio e fé no que estava por vir.

Entre cores e lágrimas, entre o amor e o silêncio, compreendi que estávamos sendo sustentados por algo muito maior do que nós mesmos.
A vida nos segurava pelas mãos.
E eu só conseguia dizer: obrigada.


Quando penso em tudo o que vivi, sinto que não sou mais a mesma.
Aprendi tanto desde aquele primeiro momento.

Lembro-me da mistura de espanto e alegria quando descobri a gravidez.
Era algo que eu jamais esperava.
Minha filha mais nova já tinha oito anos.

Mas, de repente, eu me sentia jovem outra vez — como se tivesse vinte e poucos anos, cheia de energia e surpresa diante da força da vida, que sempre se mostra maior do que as nossas expectativas.

Senti uma vitalidade nova correndo dentro de mim, uma alegria indescritível.
Aquele bebê trazia uma força misteriosa, como se dissesse:
“Eu vim para trazer luz e cores para você.”

E, junto com ele, eu também passei a olhar a vida com os olhos doces de uma criança.
Era como se Deus me sussurrasse:
“Você não está no controle. Eu estou. Confia. Vai ser maravilhoso!”

Enquanto coloria o livro, uma energia suave se espalhava dentro de mim.
Uma força mansa, invisível, uma esperança nova.
Embora frágil por fora, por dentro havia uma luz.

Era como se Deus me entregasse um tesouro secreto e dissesse:
“Acredita em você.
Sua vida, sua família, são preciosas.
Eu cuido de vocês.”

Com o tempo, compreendi:
aquele bebê veio para me abençoar.
Veio para me trazer uma energia diferente, uma força espiritual, doce e sábia.

Sou profundamente grata pela sua breve passagem, porque, mesmo em tão pouco tempo, ele iluminou a minha vida e trouxe energia, esperança e uma fé que transbordou de dentro de mim, inundando tudo de gratidão.

A presença dele mudou tudo aqui. De dentro para fora, me renasceu.
E hoje, quando lembro, não quero guardar a dor.
Quero guardar o amor, a energia e a confiança em Deus.

Entendi que alguns encontros são eternos, mesmo quando duram pouco.
E que o amor transcende, nos transforma e nos conecta para sempre pela força do coração.

Gratidão, meu bebê, meu eterno presente.
💛 FIM


Mensagem Final

Sou profundamente grata por poder compartilhar esta carta com você. Grata por todas as mensagens que venho recebendo desde a minha primeira carta, pelas palavras de carinho, pelas histórias, pelas orações e pela fé que vocês dividem comigo.

Receber sua mensagem me faz sentir que existe algo puro e muito maior nos unindo, algo que ultrapassa as páginas, o tempo e a distância.

Essas trocas me fortalecem e me inspiram a continuar escrevendo, abrindo o coração e transformando sentimentos em palavras que acalentam corações.
Obrigada por estarmos juntos nesta jornada.
Obrigada por acreditar junto comigo.

Não esquece: Acredita em você!

Com amor e gratidão,
Luana