Essa foi a conversa que tive com minha irmã há uns dias. Hoje, finalmente, descobri por que escolhi aquele cristal. Mais do que isso, entendi que não era coincidência, aquela pedra laranja trazia uma mensagem para mim.
Mas, antes de te contar o significado dessa experiência, preciso te contar a história que me levou até ela.
Eu entendo de cristal tanto quanto entendo de futebol: acho bonito, mas não sei o nome de nada, não sei pra que serve, não sei como funciona. Não sei nada.
Já a minha irmã é o contrário. Ela ama pedras. Acredita na energia dos cristais, medita com eles e chama cada um pelo nome.
Alguns dias atrás, ela disse que iria comprar pedras novas. E eu pedi:
— Me traz uma também?
— Qual você quer?
— Não faço ideia. Escolhe pra mim?
Ela chegou na loja, me ligou por vídeo e começou a mostrar. Parecia um jardim encantado de formas e cores. Pedras verdes, azuis, amarelas, rosas, lapidadas em brilhos suaves e vibrantes, com as mais diversas formas e texturas.
Até que, sem querer, a câmera passou rapidamente e algo me chamou a atenção. Era uma pedra meio laranja, lá no fundo. Bruta, irregular, com um brilho contido. Ela nem estava entre as pedras que minha irmã me mostrava.
Porém, quando bati o olho nela, falei:
— Espera. Volta. É essa!
— Essa azul aqui? — perguntou, segurando uma pedra oval e brilhante.
— Não. Quero aquela laranja lá do fundo.
— Tem certeza, Lu? Há tantas opções lapidadas... por que levar essa bruta?
— Porque é essa, irmã.
De pedras eu realmente não entendo nada. Mas de histórias… isso sim é comigo.
Quando minha irmã chegou e desembalou o cristal, fui logo pesquisar a origem e a história daquele mineral que estava na minha mão. Em poucos minutos descobri: era uma calcita laranja.
Li sua história e me arrepiei.
Sabe quando algo faz tanto sentido que o nosso corpo entende antes da mente? Foi desse jeito.
A calcita laranja vem do norte do México, da região desértica e montanhosa de Chihuahua, território ancestral dos rarámuri — povo indígena que acredita que o Sol é fonte de vida e força.
Para eles, esse cristal é uma pedra de conexão com a energia vital. Desperta a criatividade, a coragem, a generosidade, a alegria de viver e, principalmente, a força para recomeçar.
Ela é a pedra do recomeço.
Na hora que descobri isso, olhei para o cristal laranja, apertei entre os dedos, levantei a cabeça e um filme do que vivi passou pela minha mente.
Pensei: depois dos desafios que vivi (quem leu minhas cartas antigas sabe), parecia que aquela pedra trazia uma mensagem para mim:
“Lu, esse é o seu recomeço. Há muitas vidas e muitas coisas lindas esperando por você.”
Os rarámuri acreditam que a calcita laranja harmoniza a alma, traz alegria, força e coragem para afastar o frio interior e alinhar o coração ao Sol e à energia criadora.
Aquilo me tocou fundo.
Como nascente no meio da floresta, as palavras começaram a brotar dentro de mim e se uniram como pétalas de uma bela flor. A chave virou na hora.
É isso! — falei.
Fechei os olhos, fechei forte o punho, como quem descobre um enigma e sente a alma dizer: “entendi”.
Percebi que essa pedra e eu temos a mesma missão: clarear caminhos, despertar coragem, autoconfiança, reacender a alegria e reconectar pessoas ao seu verdadeiro propósito.
Eu ajudo as pessoas a enxergarem seu valor e se reconectarem com seus dons e sua essência preciosa. Assim, elas superam a estagnação, a tristeza, a inércia, a baixa autoestima e a frustração.
Eu não trabalho com pedras acabadas. Trabalho com pedras preciosíssimas de beleza rara, mas brutas ou que precisam de lapidação.
O ponto-chave do que faço é ver e ajudar a descortinar o brilho encoberto dessas pedras preciosas.
Eu ajudo a pessoa a reconhecer seu valor, ter autoconfiança e revelar a luz única que Deus colocou nela para que ela viva o brilho do seu propósito.
Esse é o meu chamado.
E então eu entendi: escolher a calcita laranja foi a forma que Deus encontrou de me lembrar que o meu trabalho faz parte de algo maior, faz parte do propósito dEle também.
Quando escolhi esse trabalho e quando escolhi essa pedra, eu não sabia aonde estava indo, foi pura intuição.
Mas Deus sempre soube. Ele me guiou não pela lógica, mas pela fé, pelo coração.
Aquela pedra foi como uma confirmação simbólica do céu:
“Eu vejo o seu trabalho. Eu confio em você. Continue. Seu recomeço está abençoado. Ainda vem muita coisa boa. Você vai ajudar muita gente. E isso é só o começo.”
Hoje, eu confio, mesmo sem entender todos os passos.
Sei que existe uma luz maior que guia meu caminho.
Sei que há promessa, força e coragem guardadas nesse recomeço.
Sei que lá em cima, há um amor puro que vê minhas imperfeições, minhas vulnerabilidades, minhas frestas não lapidadas, e, mesmo assim, escolhe confiar em mim.
E eu agradeço.
E eu confio.
E eu estou pronta para recomeçar, lapidando a mim mesma para ajudar muitas outras pedras preciosas a brilharem sua luz única e consagrada por Deus.
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