— Mamãe, me mostra uma foto de quando eu nasci.
disse Maya, me olhando com os olhos mais docinhos de jaboticaba.
— Claro, meu amor. Senta aqui no colinho!
Respondi, enlaçando minha princesinha junto a mim no sofá.
Enquanto isso, um menino branquelo, sentado no chão, ria alto com seu fiel escudeiro de quatro patas. Ao ouvir a conversa, logo anunciou:
— Ei mãe, espera aí! Também quero ver a Maya bebezinha!
Com o rostinho molhado de suor das travessuras com seu aumigo, o dono dos olhos de mel perguntou:
— Mãe, cadê o meu braço?
— Está aqui!
Falei, puxando sua mão para junto de mim.
Sem perceber, naquele macio sofá reproduzimos a imagem que acabávamos de ver no celular.
Maya de um lado.
Cauã do outro.
E eu no meio, abraçando os dois amores da minha vida.
— Como passa rápido! Não faz muito tempo e cabiam vocês dois com folga no meu colinho. Agora os dois estão caindo para fora! Olha que minhas pernas são bem gordinhas!
Falei enquanto ria e espremia os dois.
— Mãe, você está me apertando, sua doida!
Falou meu menino, arrancando gargalhadas em mim e na minha florzinha.
— Olha!
Apontei para a tela do celular.
— Esses aqui são os meus bebês.
— A gente não é bebê, mãe.
Corrigiu Maya.
— É verdade. Você tem razão, meu amor. Minha caçulinha já vai fazer nove anos em poucos dias! Flor, só que para mim você continua, e para sempre será, a minha pequenininha. Está bem?
Falei.
Olhei para o dono do sorriso mais lindo e completei:
— E você também, seu branquelo fofinho!
Falei enquanto fazia cosquinhas nas dobrinhas da barriga dos pequenos.
Como o tempo está passando rápido… Pensei
Naquele instante lembrei da minha irmã, Marcély.
Há alguns dias o celular me trouxe uma lembrança da Yasmin, minha sobrinha mais velha, quando era pequenininha.
Mostrei para minha irmã.
Marcély respirou fundo e disse:
— Que saudade desse tempo em que os olhos dela procuravam a gente. Que saudade dos colinhos que eu dava para ela.
Ela abaixou a cabeça e sussurrou:
— Hoje eu busco os olhos dela… mas eles estão em outros interesses, em outra direção, em outras pessoas.
Marcély deu dois tapinhas no meu joelho e finalizou:
— Aproveita muito os seus meninos enquanto você pode, Lu. Enquanto você é o mundo deles. Porque vai chegar um dia em que eles vão querer o mundo… e não você.
Ao lembrar dessa cena, meu coração gelou.
Fechei os olhos marejados e agradeci a Deus por estar ali abraçada com o casalzinho que faz o meu coração pulsar.
E pedi:
— Deus, não deixa eu esquecer a vida da minha vida.
Não deixa eu me enebriar pelos sonhos do mundo e deixar de estar presente nos abraços, no colo, no olhar, no dia-a-dia dos meus filhos.
Foi quando uma imagem acendeu na minha mente.
Há alguns dias, eu estava no meu escritório, sentada, com os olhos fixos na tela, sob a retaguarda dos meus livros, adiantando coisas do trabalho.
De repente:
Boom.
Um molho de chaves caiu em cima do teclado.
O barulho me despertou do transe do meu hiperfoco.
Olhei e vi uma mão forte apoiada na mesa ao meu lado.
— Thiago? O que houve?
— Lu, para mim já deu.
Foi então que percebi que ele já estava falando havia algum tempo.
Perguntei:
— O que houve? Estou pronta!
Lembrei.
Era aniversário do Caíque e do Davi, meus sobrinhos. Lá em Vila Velha. Sol, minha irmã, tinha pedido para eu não me atrasar.
Levantei num pulo.
Olhei para Thiago, vermelho, suando.
Olhei para mim: rodeada de anotações e um relatório incompleto para entregar a uma mentorada.
Olhei para o relógio.
Putz.
— Só passar o batom, colocar o brinco, a sandália e sair.
Falei tentando me desculpar.
Thiago respirou fundo.
— Lu, eu te amo. Não quero brigar com você. Mas assim não dá.
— Você pega um monte de coisa achando que dá conta de tudo. Você não tem noção de tempo e se atrapalha toda.
— Você tem filhos. Eles precisam de você. Eu preciso de você.
— Eu não quero mais essa correria para a nossa vida.
— Isso está fazendo mal para mim, para os pequenos e para você também.
— Hoje é o aniversário dos seus sobrinhos. Sua irmã está te esperando. Era para você estar pronta. Era para a gente já estar lá.
Fechei os olhos.
Respirei fundo.
Meu marido estava certo.
Fiz merda.
Tem verdades que corroem a alma.
Mas, ao corroer, elas limpam também.
Não era a primeira conversa sobre isso.
Dias antes ele havia me contado sobre uma palestra que falava da pressa.
A pressa tira o nosso estado de presença.
A pressa faz a gente viver um futuro que nem aconteceu.
A gente se desconecta da essência da vida.
Do único tempo que realmente existe:
o presente.
E talvez seja justamente ali que mora a presença de Deus.
Na calma de quem simplesmente está presente, está em paz.
Essa semana recebi da Elsi, minha prima, um vídeo sobre Bronnie Ware.
Uma enfermeira australiana que escreveu um livro sobre os maiores arrependimentos das pessoas antes de morrer.
O maior deles é:
não ter vivido a vida que fazia sentido viver.
A lição de Bronnie sobre a morte trouxe clareza para mim sobre as escolhas que preciso tomar na minha vida.
Não quero chegar no fim dessa estrada e olhar para trás e me arrepender de não ter vivido o que faz sentido para mim.
Não quero construir castelos de areia para os olhos do mundo e abandonar o presente de viver intensamente a verdadeira vida da minha vida.
Hoje, meus filhos estão crescendo.
Um dia eles vão embora.
Vão construir suas próprias vidas.
Mas, hoje, eu decido que o meu tempo tem prioridade.
É deles.
Eles são o meu maior investimento, o meu maior presente.
E quando penso em tudo isso, eu peço a Deus para que, em cada escolha, eu nunca esqueça de, antes, me perguntar:
Isso é o sonho do mundo ou é o meu sonho?
Isso está alinhado com minha prioridade?
Isso vai interferir negativamente na vida que escolho viver?
A verdade é que não quero mais correr atrás de um futuro que não existe…
e esquecer do único lugar onde a vida realmente acontece:
O presente.
Depois de visitar esses momentos da memória, percebi que estava envolvida no abraço mais perfeito.
A emoção transbordou.
— Mãe, você está chorando?
Abri os olhos e vi a dona do nariz arrebitado olhando fixamente para mim.
— Mamãe te ama, filha. Está tudo bem.
É só sua mãe chorona que percebeu que vocês estão crescendo rápido demais…
e que o mundo inteiro é pequeno perto desse abraço.
De repente eu entendi:
aquelas fotos no celular não eram apenas lembranças.
Eram mensagens.
O tempo está passando.
E a vida da minha vida…
E o presente mais precioso…
Está aqui.
Nesse abraço.
Ps. Feliz que você chegou até aqui.
Se essa carta tocou seu coração, compartilhe com alguém que também vai gostar dessa mensagem.
Eu te espero na semana que vem na nossa próxima carta.
Com carinho,
Luana
Nós mães nos vemos muito nessa carta. O tempo parece passar muito rapidamente e nos atropela a maternidade. Quando vemos eles já cresceram e da muita saudade.
Amei ler essa carta ❤️
Que lindo Lu 💗🙌
Deus te abençoe querida! Estamos em sintonia! Gratidão 😌
Sim Luana viva o presente com os amores da sua vida,aproveita essas bemçãos que são seus filhotes, deixa o futuro com Deus, que só a ele pettence
Estava eu em mais um fim de.semana cheio de trabalho para mais um evento que organizo, dessa vez, para dia 17 e 18.03 e eis que meu neto numero 2, meu "Denis Pimentinha" lindo igual, esperto igual traz a bola e diz bora jogar? Eu respondi vou terminar isso aqui e já vou. Ele disse ok e foi brincar. Voltei os olhoa para a tela e vi a carta de Luana
Acabei de ler, empurrei a cadeira e corri atras dele já tentando roubar a bola de seus pés num drible desajeitado mas encontri de novo o sorriso mais lindo do mundo seguido de um abraço suado e que me trouxe aconchego ao coração. Obrigada, Luana.
Lu querida, sua carta me fez viajar na maternidade, o quanto me doei e fui , sou feliz por poder vivenciá-la de uma maneira íntegral. Semana passada quando João Pedro completou 18 anos, fiz uma reflexão de cada fase dele, como passou rápido, mas pude, graças a Deus, curtir cada fase do meu menino.
Sua carta foi um reforço do que havia pensado, para me conectar ao presente e aproveite ainda mais cada momento com minhas 'crianças", com meus presentes enviados por Deus.
Realmente ser mãe é um dos papéis mais importantes que nós mulheres desempenhamos aqui! Tive o privilégio de poder diminuir o ritmo da minha vida profissional para estar mais tempo com minhas filhas, na fase em que senti que era primordial estar ao lado delas!
Amei sua reflexão!❤️